Diário de Bordo 6: Perrengue #1 San Francisco
Se eu fosse algum criador de fábulas, com certeza criaria uma pra descrever um monstro bem mal, feio, bobo e chato que se chamaria imprevisto. Ele seguiria aqueles que não estão completamente previnidos e provocaria pânico todas as vezes que esses falhassem em um minímo detalhe.
O ritmo de despedida nos últimos dois dias, me deixou necessariamente cansado e levemente triste. Despedidas são sempre tristes, embora as minhas foram de “te vejo logo” e não de “adeus”, continuam tristes. E também são cansativas, o fato de ter que visitar todo mundo pra dar um abraço, além de causar um cansaço emocional, provoca um cansanço físico. Até porque ir dormir 4 horas da manhã bebendo e ter que acordar as 7 pra arrumar a mala, mata qualquer um. Mesmo que seja pra se despedir da galera. E como isso aconteceu 2 dias seguidos, mais do que nunca ontem eu precisava de uma ótima noite de sono.
(Comece a rir de agora se você já percebeu que eu não tive um boa noite de sono que precisava.)
Apois, antes de sair de Seattle, procurei no Google referencias sobre um bom albergue e acabei encontrando o USA Hostels. Liguei, perguntei o preço, perguntei se tinha muitas vagas e pedi pra fazer minha reserva. Na ligação ainda perguntei se caso eu desistisse se ela iria me cobrar algo, disse que não e confirmou a reserva. Até aí, tudo lindo.
Arrumo minha mala, desço pro aeroporto e entro no avião da Virgin Airlines. Que por sinal, achei o serviço de ótima qualidade por módicos $69, pelo trecho Seattle-San Francisco. Lógico que a poltrona só inclinava 4 graus e pra frente ! Ou seja, tinha 2 posições, 90 e 86 graus. Pra dormir não é lá muito confortável, mas pra mim nem é problema, tanto que não vi nem o pouso nem a a partida do avião. Mas enfim, o avião parecia o brega de Detinha. Luz negra na entrada, neon rosa e roxo por todo o corredor e uma música meio excitante enquanto o avião tava no chão.
Mas apois, só tô enrolando pra contar o perrengue, mas é só mais uma coisa. No avião, nas telinhas de LCD de cada poltrona, além de TV, Rádio, Filmes e seriados, tinha um joguinhos bestas. Mas eu quase chorei de nostagia quando eu vi que tinha Doom. E a primeira versão aindaa ! Pra ter noção do que eu to falando, eu jogava isso quando eu tinha 7 anos ! E como um instinto, eu peguei o controle e tentei digitar os códigos de imortalidade e arma infinita: IDDQD e IDDQF. oO
Detalhe que não consigo lembrar o que comi ontem, mas consigo lembrar o código de um jogo que no minimo há 10 anos não jogo.
Mas enfim, chegando no aeroporto de San Francisco, ligo pro albuergue perguntando como chegar lá. Ela pergunta se tenho reserva, eu digo que tenho, passo meu nome e se ligue no diálogo:
- Não tem nenhum Marcos com reserva aqui não.
- oO ?
- Senhor ?
- CUMA É RAPAZ ??? Tem como tu olhar de novo se não tem um reserva pra Marcos Santiago ? M-A-R-C-O-S ! S-A-N-T-I-A-GO !
- Quando fez a reserva ?
- Lá pelos meio dia.
- Ahh então pera aí, vou perguntar a negada da recepção.
- …
- Senhor ? Desculpa, achei sua reserva.
Ufa. Já tava quase desesperado, até porque estamos no Spring Break, que são as férias de primavera e todo mundo viaja pra lugares, como Califórnia e Flórida. E provavelmente não acharia outro lugar pra ficar tão cedo.
- Senhor ? Achei sua reserva, mas ela caiu ás 22:00 de hoje por não comparecer ! E estamos lotados.
- oO ? Querida, peido pesa ?
- Não senhor.
Nessa hora, eu simplesmente relaxei as pregas e pedi a Nossa Senhora Protetora dos Sem Reserva pra me ajudar. Como já eram 23:10, e o último trem era 23:53, preferi não discutir e procurar outro lugar. Perguntei se ela tinha o número de algum outro albuergue. E fui ligando de um a um, e eu só ouvia “Desculpe, estamos cheios”. Detalhe que caso eu não pegasse o último trem, ia ser inviável sair do aeroporto, porque iria ser uma facada ir de táxi.
Nessa hora, pedi ajuda a um taxista e nesse intervalo de tempo entre mais ou menos 23:15 e 23:53, ligamos pra uns 15 hostels. E adivinha ? Perdeu Playboy, TUDO lotado. Já sentindo algo goguento escorrendo pelas pernas, eu juro que vi Morote gritando “Toma Disgraaaçaaa !”
O trem foi embora. E eu fiquei.
Até pensei em embarcar enquanto tentava alguma vaga, mas depois de 15 tentativas, entrar num trem sem nem saber pra onde vai parar. Fiquei. E descobrei que o próximo seria as 8 da matina. ( oO )
Isso mesmo. Tive que durmir no aeroporto ! Ao lado de duas loiras com turbeculose, que tossiram a noite inteira e um peruano que roncava. A noite foi MARA.
Ao invés de ir dormir, saquei o notebook, paguei a bagatela de $6 pra acessar a internet por 24hrs e me esbagacei ligando pra albergues pra conseguir fazer uma reserva. Zilhões de ligações depois e já era umas 2:30 da manhã, um fídedeus me acha um Única num hostel e ainda no Centro da cidade e pelo mesmo preço dos outros, $29 por dia com café da manhã e internet. (Obrigado Nossa Senhora Protetora dos Sem reserva).
Hoje pela manhã, peguei o BART, que é o sistema de trem. E vim direto pro albuergue, de onde digito o texto ! =)
Tirei algumas fotos, mas fica pra outro post, vou durmir agora que a noite passada não foi muito confortavel e minha torcicolo tá pegando.
Diário de Bordo 5 e meio: O que ando fazendo por aqui [Parte II]
Planejar é coisa de gente fraca. E descobri como ser forte na marra. Quando ler “forte”, entenda um fracassado cara que não consegue completar os planos com sucesso e tem que se virar pra continuar fazendo a viagem ter graça. Metade da história, os antigos posts contam, a outra metade é que a esse momento eu deveria estar teclando do Canadá, mas nem estou.
Eu estou nos arredores de Seattle, que fica a 220 km de Vancouver no Canadá. E como qualquer viajante que se preze, não perderia a oportunidade de cortar mais um país da minha lista de países que tenho que visitar antes de morrer. Mas a questão é um pouco mais complicada. Primeiro, que só de visto já se iriam $65, e esse é preço da passagem de avião pra San Franscisco (até o momento, minha próxima parada). Segundo, que com passagem ida e volta, comida e hospedagem, iriam-se embora uns $250 fácil, isso pra uns 3 ou 4 dias. E terceiro, lá não tem porra nenhuma nada de muito interessante pra ver, e só seria uma questão de contar vantagens sobre os amigos e dizer que conheci o Canadá. Como sou um fudido desprovido de verba extra, fica pra próxima.
Como prometido, esse post vai ser quase essencialmente fotos. Sem mais desperdício de teclas, vamos lá.
Pra começo de história, o Monte Rainier. É um vulcão ativo (medo) que tem quase 4,400 metros de altura e de acordo com especialistas podem ser visto da casa do caralho. Na estrada e quando faz sol, a montanha fica bem nítida e paisagem é muitoo bonita mesmo.
Ainda na seção de neve, as próximas fotos se não fosse eu mesmo que as tivesse tirado, me faria uma puta inveja. E se fizer uma análise das coisas e lugares que mais desejo, a resposta provavelmente será encontrada nos desenhos que assisti quando era guri. Eles sempre me davam a impressão que as melhores diversões eu não posso encontrar onde moro. Mas agora, eu acho que posso riscar mais um item de coisas pra fazer antes de morrer: BONECO DE NEVE.
Sem mais gelo, algumas fotos de alguns bons lugares pero aqui. Pra começar, um parque daqueles que os pais levam a familia inteira nos dias ensolarados de domingo. Não lembro mais o nome do lugar, mas sei que ainda é em Kirkland. O parque tem um ambiente muitoo gostoso com vários piers, patos, velhos tocando violão e gaita e um pôr-do-sol insanamente alaranjado.
E nas fotos seguintes, um lugar chamado Deception Pass, que com a junção da paisagem de um ponte velha que atravessa um braço do mar, algumas ilhas ao fundo, a geografia rochosa e o pôr-do-sol indo embora pelo pacífico dá impressão que lá é o lugar onde a sua consciência mora. A paz pertubadora do lugar só serviu pra me deixar com medo ! hahahaha. Eu querendo dar uma de brincar com as meninas e soltei uma inverdade com um sorriso sem vergonha: “Ouxiii, me disseram que esse lugar é lotado de Ursos e ele atacam as pessoas de vez enquando. Quem não consegue correr tá ferrado ! “. Não durou 3 segundos pra todo mundo do carro me responder em coro, confirmando o que eu menos esperava: “Mas é VERDADEE ! Por isso que não pode vir pra cá com comida ! Certa vez 2 ursos mataram um casal que acampava na área.” Lógico que eu fiquei mais cabrero do que alguém com diárreia e tratei de entupir meus bolsos com quaisquer objetos que pudesse causar um traumatismo craniano em qualquer um que tivesse mais pêlos do que eu.
Ó pá isso. Comecei o post sem nem foto nenhuma, agora essa gota tá enorme e ainda tem meio mundo de coisa pra colocar ! Bem, eu ia postar aqui as meio mundo de vezes que fui no boliche/sinuca com diversas galeras. Mas como foram inúmeras vezes mesmo, tipo quase todas as sextas, sábado e domingo vou deixar essa parte pra lá pra num deixar essa bagaça maior do que já tá. Também ia postar uma série de aniversários e festinhas que fui, que não levei presente, nem ajudei na comida, mas tava lá batendo palmas e bebendo com o anfitrião. Mas como também foram inúmeras vezes, nem vou postar aqui pra não ficar repetitivo, mas prometo que faço depois ! =)
Pra fechar o post, só vou colocar mais duas fotos, que foi de um flagra que deram em mim. Pra terem noção da situação, era aniversário de um brother que eu tinha acabado de conhecer, fui o único que não levei presente, foi num restaurante ( cada um paga a sua e a amizade continua) e eu ainda filei o rango de outro brother que tava cheio ! Na hora que enfiaram a cara dele no bolo aproveitei o vácuo.
Os morangos eram contados e eu realmente fiquei sem graça com o flash ! =)
Mal saí de Seattle, mas a galera já tá deixando saudades. Amanhã a noite embarco pra Califórnia e minha primeira parada é San Francisco. Apesar de estar em ritmo chato de despedida, estou muito mais ansioso em chegar no Brasil do que conhecer outros lugares. Acho que por estar chegando perto de embarcar, a saudade tá apertando pra caralho e os dias estão literalmente sendo contados pra dormir na Minha casa.
PS: Na minha opnião o conceito de “amanhã” é bastante pessoal !
PS 2: Ali do lado tá o meu tuíter. QUe é a mesma coisa do blog, só que quase ao vivo ! =)
PS 3: Outros items a serem riscados da minha lista de coisas pra fazer antes de morrer…Eu vi: guaxinins, esquilos, topeiras, gaivotas no pier, patos migrando, corvos e veado. (Veado, com E).
Diário de Bordo 5: Que gota ando fazendo por aqui. [Parte I]
Coff, coff ! Esse blog está deveras empoeirado ! Já tem quase hum mês e meio que não vê nada novo. A hora de dar uma faxina e bater os tapetes na parede já passou faz tempo, mas o fiz pra acumular coisa pra contar.
Essa greve de palavras não foi um começo de depressão, desleixo, metidez ou falta de vontade de mandar notícias pros brasucas. É que fui acometido por uma terrível desgraça, que jamais pensei que fosse me acontecer. Juro por todos os meus perteces que sempre fui um cara cuidadoso, fiel e em casa, nunca deixei faltar nada. O que acontece é que já se fazem mais de 3 meses longe de casa, longe de tudo que amo, conhecendo pouca gente e ainda por cima com o dinheiro do pão contado.
Eu evitei ao máximo. Minha Nossa Senhora dos Pés Juntos Desatadora dos Nós de Cadarço não me deixa mentir e ela sabe, que não foi culpa minha. A tentação veio de com força e não tive nem cara pra dizer não. Quem me conhece de perto, sabe que quando me aparece umas coisas dessas eu mato na caixa dos peito e chuto pra longe. Mas dessa vez…
Como foi a primeira , ainda posso me acobertar da proteção de alguns dizeres populares e esbravejar apontando o dedo e a culpa na cara de qualquer um que ouse me julgar: “Que atire a primeira pedra, quem nunca o fez.” e ainda, me eximo da culpa, dou com os ombros e “Ninguém é de ferro, né ?”.
O fato, é que a maldita rotina me pegou desprevenido. Sem mais delongas, emprego que é bom, bufas. Desencanei com essa história de conseguir trabalho depois que vi um brother que trabalhava há 16 anos numa empresa e foi demitido. Imagine eu ? Com um punhado de inglês que aprendi assistindo Lost e com um sotaque baiano, o que iria arranjar ? Fazendo uma conta rápida, a gente percebe que não ter trabalho significa não ter renda, que significa não ter diversão, que significa ficar em casa fazendo carai de nada.
E esse foi o simples e único motivo que abandonei um pouco o blog. Cai na rotina, descambei pro lado do tédio e pra mim não ter o que fazer (nem dinheiro pra inventar) e ainda por cima SOZINHO significa o começo do fim dos tempos.
Pra vocês entenderem a situação com mais clareza, aqui na casa que eu moro, moram mais 3 pessoas. Todas saem a 6 da manhã. O primeiro chega á 1 da tarde, dorme a tarde inteira e quando acorda vai trabalhar. Outra, quando chega, lá pra umas 18 horas, toma o meu notebook (que é dela) e me tira meu único divertimento. E os outros dois, chegam lá pra 8 da noite, e que esses, como dormem na sala, desligam a televisão no lá pra umas 8:15. Sacaram ? Ou seja, lasquei-me. E ahhh, quando dou a sorte de usar o notebook da outra, ainda tenho que fazer no banheiro, porque no quarto, o brother precisa acordar cedo e o barulho das teclas e a luminosidade incomoda qualquer um. Resumindo: passo o dia todo dentro de casa e quando tenho sorte posso usar a internet no banheiro…bom né ?
Mas como eu iria enloquecer rapidinho caso continuasse nesse ritmo, dei um jeito pra sair dessa pendenga e o pai de um amigo um enviado dos céus teve péssima idéia de me chamar pra passar “uns tempinhos” na casa dele. Como eu não tava fazendo nada mesmo…porque não ??
O que ele não tinha noção, é que eu quebrei propositalmente o meu desconfiômetro e esse tempinho se transformou quase 1 mês !! No fundo, no fundo eu sabia que eu tava incomodando, mas na necessidade, a gente coloca o bom senso de lado e abraça a primeira boa alma que aparece. Lógico, que eu não fazia barulho, lavava os pratos, arrumava o meu quarto e ainda consertei o computador deles…isso não necessariamente tudo ao mesmo tempo ! Fazia de tudo pra não incomodar. =)
Durante esse 1 mês, eu entrei em outra rotina. =/
Mas pelo menos, era no minímo infinitamente melhor do que a antiga. Eu acordava cedo todos os dias e ia ajudar meu brother no trabalho. É um trabalho bem leve e tranquilo. O cara trabalha com mármore e granito, e carregar alguns pedacinhos de pedra de 100 ou 150kg já não era tão absurdo assim. Mesmo na rotina, qualquer coisa diferente de ficar sozinho em casa é show. Sem contar que a gente viajava quase uns 200km todos os dias, fazendo orçamentos, instalando mármore/granito nas cozinhas e assim dava pra conhecer outros lugares. E quando chegava em casa, ainda tinha notebook com internet até umazora e comida brasileira bem quentinha.
Pra fechar o post, entenda que tédio pra mim significa não ter nada pra contar. E se por acaso, um dia se encontrar nessa situação, use minha teoria física pra matá-lo:
“A soma de dois tédios, elevados ao quadradros, transcede as propriedades fisicas dos corpos inertes, anulando-se um ao outro e gerando movimentos involutários.“
Ou seja, chame alguém pra compartilhar a sua chatice.
Ps 1: Tem gente demais no sétimo parágrafo. Não eram só 3 ?
Ps 2: É um ótimo videogame.
Ps 3: Também é um ótimo videogame, mas só pra dizer que amanhã faço um post só com FOTOS, praqueles que não gostam de me ler. =)
Diário de Bordo 4: “Sortee ? Ainda tá aí ?”
Quem me conhece bem, sabe o quanto eu conto com aquela máxima: “Relaxeee mann. No final tudo SEMPRE dá certo”. E realmente sempre deu.
Eu não sei bem ao certo o que me move a confiar nesse tipo de sentimento. Acho que é uma mistura de egocentrismo, prepotência , autoconfiança (com ou sem hífen? maldito acordo ortográfico), com uma pitada extra de irresponsabilidade.
Se eu pudesse fazer uma metáfora como foi minha vida nos últimos 15 dias, diria que é como se tivesse numa competição com os amigos, tentando atravessar a piscina da AABB pela primeira vez. No começo você tem certeza que vai chegar tranquilo. Já no meio da piscina, o ar vai ficando escasso, você acelera as braçadas e a visão fica um pouco embassada, que o faz pensar que o final está mais próximo do que ele realmente é. E no final, quase sem esperanças em conseguir alcançar a parede de azulejo azul, pensa duas vezes em subir a superficie e respirar, mas engole o orgulho a seco, retira as últimas moléculas de oxigênio do esfíncter, bate na parede, sobe e respira. Exausto, ofegante, sem fôlego algum, mas com a leve sensação de tarefa cumprida.
O que acontece é como eu contei num post anterior, eu tinha um prazo de 30 dias pra arranjar um emprego. E quando esse prazo acabou, a única coisa que você consegui arranjar foi NADA . Nada, do verbo porra nenhuma. Liguei pros brodinhos e eles me deram mais 15 dias de prazo. Nesse tempo, preenchi uns formulários pela internet e dois dias depois, recebi um telefonema. Era do McDonalds. Marcamos a data da entrevista e lá fui eu, todo serelepe, tentando disfarçar o nervosismo e fazendo um esforço enorme pra entender o inglês do gerente mexicano. Isso foi quarta, já saí de lá com alguns papéis assinados, com o uniforme cor de fezes de criança da perna torta na mão e um sorriso que nem cabia em mim. Já iria na sexta, pra pegar meus horários e descobrir o que ia fazer. Até aí tudo lindo, tudo resolvido, só precisava começar a comprar meu iphone, o notebook, uma hummer e tudo que tinha direito.
Sexta-feira chega. Todo mundo no ônibus olha meio torto pra minha perfomance, cantando e dançando “Arrooocha, aperta. Aperta e amaassaa…”. Felicidade pouca é bobagem. Mas…quando entro no Mc e converso com o brodinho, ele me vem com a notícia que só poderá me empregar quando o meu cartão do Social Security chegar. Esse cartão é equivalente ao CPF do Brasil. Eu já tinha o número e uma carta do governo dizendo que o mesmo chegaria em duas semanas. Como esse prazo, de duas semanas, já estava a esgotar, ele disse que não precisaria me preocupar, pois o emprego era meu e lá pra próxima quarta o dito cujo do cartão deveria brotar na caixa de correio. Até aí tudo lindo, tudo resolvido, só precisava começar a comprar meu iphone, o notebook, uma hummer e tudo que tinha direito.
Pedi humildemente pro fí da peste assinar os papéis e tudo, já que era só questão de tempo pra começar a trabalhar. A criatura foi irredutível e só encosta a caneta em qualquer papel quando o cartão chegasse e ponto. O problema nasce aqui. O cartão não chegava nem com reza de braba. E o prazo, extendido pra mais 45, se esgotaria na sexta-feira seguinte e eu não teria mais chance de extendê-lo. Aqui eu to quase no final da piscina, mas com água do mar, só pra arder quando eu abrir o olho.
Resumindo…tudo que eu precisava pra durmir tranquilo era um emprego. Quando consigo, não posso trabalhar. Pra trabalhar tudo que eu preciso é do Social Security, quando ele deveria ter chegado, simplesmente não chegou. E caso eu não consiga um emprego até o final do prazo, meu visto será cancelado.
A medida que os dias iam se aproximando do prazo, a esperança ia embora na mesma velocidade. E a realidade de ter que voltar pro Brasil, sem nenhum do planos devidamentes completados, vinha me visitar ao fim de cada dia.
Foi nessa hora, que chego na varanda de casa, num frio da peste, batendo palmas e recitando bem alto “Parabééénsss Tio Sam…Você fudeeeu com meu intercâmbio”. Numa tentativa desesperada de conseguir rir da minha situação. Pobre de mim.
Na quinta-feira, uma dia antes do juízo final. Estava eu pelado, sentado no vaso, com os cotovelos apoiados sobre os joelhos e as mãos segurando o rosto. Pensativo naquele momento sublime, imaginava o que acontecera com toda aquela força, que por vezes era única capaz de me passar um sensação de segurança. Concordo, que muitas vezes essa sensação era falsa. Falsa, mas me deixava durmir.
Que gota tinha acontecido, que dessa vez eu não tinha confiança suficiente pra relaxar e acreditar que tudo ia dar certo ? O que aconteceu com a sorte e com o acaso que sempre me protegeram, mas insistiam em não pegar sinal aqui nas gringa ?
E esse foi motivo, do meu sumiço durante tantooo tempo. Tava sem graça, sem sal. Um chato. E fora que toda vez que entrava no msn, boa parte perguntava se eu já tinha arranjado emprego e isso só me fazia lembrar do tamanho da minha incompetência !
Mas então ? Você vai perder o prazo e vai voltar pro Brasa ?
Como eu ia dizendo, naquela quinta-feira que eu tava liberando boa parte das minhas esperanças pela descarga, uma última negou-se a se afogar e me lembrou de uma frase que eu costumo falar: “Sem o último minuto, nada seria feito”. Aquela frase apesar de ter sido companheira inseparável durante todas as minhas quase 2 décadas de vida, principalmente no quesito provas e trabalhos do dia seguinte, não foi capaz de me acalmar naquela situação.
Pois bem, quando tudo parecia perdido, entra um dentista coreano na minha casa, procurando por mim.
O nome do cara é Dr. Tom Cho, que soube do meu caso numa reunião na igreja que o pessoal aqui da casa frequenta. O cara se comoveu com a minha situação e resolveu ajudar. Lindo né ? =)
E a parte engraçada é que o brodinho é super honesto, e como ele não tinha nenhuma vaga de verdade pra me oferecer me empregou como Gerente de Limpeza. Que vou exercer com perfeição durante 1 hora por semana. Eu sei que será um trabalho árduo, mas era o único jeito de garantir minha estada aqui nos EUA.
Mas que porra tu tá fazendo aí se não está trabalhando ?
Ahhh bommm, aí já é papo pra outro post, que esse já tá chato demais. Apesar de estar descrente com o McDonalds, eu religiosamente checo a caixa de correio todos os dias ao meio dia, pra ver se o cartão já chegou. E perdoem o tom de seriedade é que tô de saco de cheio de ligar pro povo e ouvir pra voltar no verão.
Diário de Bordo 3: Jin góu bélls !
Sim. Como de praxe, estou atrasado. O post de natal quase fica pra páscoa, mas prometo que o de ano novo não passa de 2009.
Meu natal, foi legalzinho. É, legalzinho expressa bem o que quero dizer. Estava rodeado de pessoas felizes e alegres a cantar todo o tempo. Algumas por influência do álcool, outras invadidadas pelo espirito natalino e eu contagiado por ambos. Faltou muita coisa pra ser um natal como todos os outros. E pra ser sincero, adoraria ter um natal como todos os outros. Não que eu seja fã do natal, mas esse ano longe de casa me fez perceber que familia, amigos e namorada reunidos em volta de um peru fazem muita falta (não, isso não é uma orgia, é natal).
Como gosto de novidades antigas, ainda não arrumei emprego. É, é triste mas é a verdade. Mas tenho algumas boas esperanças pra essa semana, quase a última semana do meu prazo, mas ainda levo algumas delas no bolso.
Os dias tem sido mais quentes por aqui, a média de temperatura da semana foi por volta do 5°C. A neve já tá quase toda derretida e por isso todo dia insisto em molhar meu tênis numa poça de água gelada invisível.
Hoje fui na casa de uns amigos do Laécio e comi carne cozida ! Sim, isso aqui com tempero brasileiro é quase uma iguaria. E se tem algo que tenho a reclamar desses americanos é a comida. Ô comidinha véa sem gosto. Essa semana, me perguntaram no msn qual era a comida típica dos Estados Unidos. Eu parei de digitar por uns instantes, fiquei pensativo com aquele olhar de quem parece tentar ver a sombrancelha e respondi a única coisa que consegui lembrar: “Mc Lanche Feliz”.
Sério. A comida típica mais gostosa dos Estados Unidos é mexicana. Pelo menos burritos, tacos, tortillas, guacamole, taquitos e quesadillas foram as coisas gostosas, que por enquanto, só comi aqui. Embora nada dessas se compara a um prato de carne de sol com purê de aimpim ! Ou até mesmo o velho arroz, feijão, farinha, bife de ontem e banana cortadinha. Em falar nisso, tive até alergia por falta de farinha no sangue. E rapadura com côco ? Hunf. Se tu ver uma aqui, tu acorda.
Mas nessa terra, tem algumas coisinhas que lá não tem:
A ceia pelo menos foi bem farta. Comi feito uma burra véa abandonada na floresta sem comida por duas semanas.
Alguns novos amigos brasileiros, que por sinal adorei ter ganhado $25 no bingo no final da noite (ou foi depois de ter comido as sobras no almoço no final do dia ?) e ainda saí de lá como o baiano engraçadinho.
E como toda festa, há quem seja o centro das atenções mesmo que despropositalmente.
Se a gente não se ver daqui a até lá, Feliz Ano Novo ! E se alguém fizer aquela piada infame “Onde rompeu o ânus ?”, pode arremessar o objeto mais pontiagudo que estiver por perto.
Diário de Bordo 2: Frio da peste !
Hoje foi meu dia de graxeira. Passei o dia todo lavando roupa. Foi um trabalho complicadíssimo, pra começar nunca fui fã dos serviços domesticos (Rose bem sabe). Segundo, que quando você tá num frio de -3°C, a água é super fria e sua mão dóii, dóii mermo…tanto de frio, quanto de esfregar a roupa ! E sem falar que estava nevando, o que ainda deixa o serviço ainda mais bizarro. Isso tudo, sem contar que o sabão de coco em pedra deixou minha mão inchada. E terceiro, que no frio que tá, aposto que essa gota só vai secar lá pro carnaval ! Foi triste.
Tu acreditou foi ? Má ré besta mermo. Imagina a cena, eu lavando roupa num frio de -3°C, com água congelando e ainda tendo que tirar do varal toda hora que fosse nevar ? Rai ai. Povo veio besta. Eu fiz foi jogar tudo na máquina ! Lógico. Mas como eu e Murphy somos irmãos siameses, boa parte das minhas roupas diminuiram de tamanho depois de tirar da secadora. Exatamente como acontecia com Popeye, quando Olivia lavava suas roupas (eu assistia e era feliz).
Como nos outros dias, hoje também nevou ! E muito, há quem duvide da minha experiencia em neve (né Nettu ?), mas imagens a seguir comprovarão. E muita neve não é nada legal, principalmente pra mim que ainda não arranjei emprego. E essa neve toda leva um pouco de culpa nisso, até porque, quanto mais neve, menos as pessoas saem de casa. Quanto menos as pessoas saem de casa, menos elas consomem. Quanto menos consomem, menos necessidade de mais um brasileiro trabalhando. Quero realmente acreditar que seja isso, ao menos me consola. Mas pois é, Deus ajude e dê um bom natal aos empregadores que me negaram emprego, porque se depender da minha praga, eles vão tudo tomar no…Vocês entenderam. Eu sei que entenderam.
Lembram da famigerada bicicletinha ? Apois, a neve consumiu.
Vocês lembram que eu tinha pernas ? Apois, a neve consumiu.
Vocês lembram que eu tinha amigos ? Apois, depois que dei uma 6 boladas de neve na cara de uns, a neve consumiu.
A fonte de uma faculdade aqui perto congelou ! A camada de gelo tava tão grossa que eu andei pela água (um big-big pra quem acreditar, eu nem sou esse homi todo).
Vocês lembram que eu era um cara besta ? Apois, ainda tá pra nascer coisa nesse mundo que acabe com a minha besteira.
Pra semana tem mais. Provavelmente farei um post natalino, que por sinal, o natal desse foi bem magro pro meu lado. Os mais chegados vão receber um maravilhoso postal (mais chegados entendam minha Vó).
Diário de Bordo 1: Hello USA !
Cheguei. Na verdade isso já faz uma semana, mas como o tempo, o frio, o fuso horário ou qualquer outra coisa que eu possa usar como desculpa, me atrapalharam, só consegui fazer esse post hoje.
Depois de quase 30 horas de viagem, pulando de aeroporto em aeroporto, avião em avião, cheguei semi-vivo a Seattle. É, semi-vivo. A American Airlines consegue ser pior que a São Matheus, com os seus incríveis 2,5 graus de inclinação nas poltronas. A viagem foi bem tranquila, arranjei companhia em todos os voos. A camiseta da IE Intercâmbio ajudava a identificar os brodinhos que tinham o destino preparado para os próximos meses.
Eu tô morando em Kirkland, que fica a uns 12 minutos de Seattle. Aqui to filando a brêffa na casa do Laécio, da Suzana e da Tia Lourdes, que tem sido como uma familia pra mim aqui nos EUA. Estão me ajudando em tudo mesmo, desde a procura por emprego até nos cuidados enquanto estou doente (tô gripadissimo). O lugar é bem legal, fica perto de tudo: restaurante, pizzaria, correio, hotel, barzinho…tudo mesmo. Só tem um probleminha…é um frioo da peste ! Acordei hoje e tava maravilhosos -8°C. Pra um baiano, acostumado a pegar 35°C no inverno, isso é bastantee frio ! Nos últimos dois dias aqui nevou pra caraio ( simm Nettu, nevou muito porque até agora a varanda da casa tem 4 dedos de neve) e eu como bom tabaréu que sou, adoeci brincando de bolinha neve !
Conseguir emprego aqui tá sendo realmente muitoo chato, já fui em tudo quanto era lugar, mas a galera só contrata depois do natal ! Mas sem problemas, descobri tenho 30 dias a partir da minha chegada pra conseguir emprego, ou seja, até 9 de janeiro. Daqui a pouco vou numa loja de roupas conversar com o gerente, contando com esse, já conto o 4° gerente só hoje ! =/. But don’t worry, positive vibrations !
Nos primeiro dias eu fiquei hiper tonto, com dor de cabeça e tudo mais…o pessoal disse que é normal, por causa do fuso horário ! Aqui são 5 horas a menos em relação ao Brasil !
To aqui há apenas uma semana, mas tenho a impressão que já to a umas 3 ! Isso intensifica a saudade pra caraioo ! Acabei de chegar mas não vejo a hora de dar aquele abraço em todo mundo, comer o cozido de galinha da terra de minha Vó Eulina, ouvir Rose reclamando da bagunça, fazer cócegas em Mainha ( riram de mim aqui quando eu falei que mãe era mainha !) até ela me bater, painho no tradicional whisky no final da noite, meu irmão provavelmente num novo visual, Meuu Xeroo me recebendo com um beijoo gostoso e isso sem contar a porrada de amigos que já faz uma puta falta…não vou citar com medo de esquecer de alguém. (mas quem sabe que eu considero como amigo, por favor se encaixe aqui.) A vontade que eu tenho de fazer agora é escrever saudade num tijolo e bater com ele na testa de vocês, só pra vocês entenderem o quanto dói ! =)
































